sexta-feira, 13 de maio de 2016

O NEPPAG e a Geografia...tecendo redes e Agroecologia.


 Por jaorico@gmail.com


Olê gente rendeira, olê povo RENDA

Saudações, agroecologistas!


Eu que aqui escrevo, o João Ricardo, bolsista do Projeto RENDA-NE, e membro do nosso Núcleo NEPPAG Ayni, quero saudar a todos e todas nesta nossa plataforma de comunicação na rede.


Venho aqui convidar os nossos Núcleos de Estudos em Agreocologia-NEA, parceiros da RENDA, e os seus professores e as suas professoras, a tod@s @s estudantes, os colaboradores e as colaboradoras e o público em geral interessado, para participarem junto conosco da nossa plataforma de comunicação, ajudando a melhorá-la, melhorando assim nossa Rede, a Rede Nordeste de Núcleos de Agroecologia, além de servir como mais um ambiente da  divulgação das atividades que os NEA da Região Nordeste vem realizando e como vem colaborando com o fortalecimento da Agroecologia e seus princípios em escala local, regional, nacional e internacional.


Sendo assim, antes mesmo de escrever algo que envolve as atividades do NEPPAG, quero lembrar que toda semana estaremos (os bolsistas) colocando novas postagens de atividades, eventos, histórias e até mesmo causos que contenham um pouco sobre o dia a dia dos nossos queridos Núcleos de Agroecologia, que seguem parceiros nesta jornada de divulgação e conquista dos espaços com a Agroecologia. Aproveitem para comentar em nosso blog, ajudando a divulgá-lo na internet. Curtam também nossa página nas redes sociais, e participe, você também é um potencial comunicador da Agroecologia.


Bom, feito o chamamento, eu me atrevo a apresentar um pouco o NEPPAG Ayni, o Núcleo de Educação, Pesquisas e Práticas em Agroecologia e Geografia. E para não me estender muito, sigo direto ao assunto.


Como sabem alguns de vocês, o NEPPAG Ayni está situado no Campus da UFPE, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas, nas instalações do Departamento de Ciências Geográficas-DCG, 5º andar, sala 503, onde convivem pessoas de diferentes formações e níveis de estudo, num ambiente digno de levar o "Ayni" no nome. Ah, sobre o "Ayni", você pode ver o que significa aqui. O nosso NEA é ainda bem jovem, nasceu em 2014 e foi batizado em 2015, fruto do esforço intelectual colaborativo, do trabalho coletivo e animação da Prof° Monica Cox, representante docente e coordenadora do núcleo, juntamente com alunos e alunas da graduação, pós-graduação em Geografia e áreas afins.


Porém quero chamar atenção para dizer que embora bastante jovem seja o NEPPAG, seus participantes já aportam com suas bagagens e experiências, muitos juntos há alguns anos, outros nem tanto, mas que se souberam articular e integrar. Sinergia! Esta é a palavra que resume o encontro dessa gente, e o NEPPAG Ayni, penso eu, pode ser visto como a materialização desse desejo das pessoas se encontrarem. Ao meu ver, estar junto com a Geografia e a Agroecologia traz para o Núcleo Ayni a possibilidade articulação com vários movimentos sociais do campo e da cidade, com as ONGs que atuam na nossa região, com outras áreas do conhecimento, enfim, com a diversidade de sujeitos e pensamentos que esclarecem, elucidam, e enriquecem a nossa formação.


Assim é que estamos nos movimentando, frente aos meandros e bloqueios que a realidade exige de nós, as parcerias são muito bem vindas e importantes. Podemos citar a participação dos nossos colegas junto à Rede de Agroecologia de Pernambuco, à Rede de Feiras Agroecológicas de Pernambuco, à Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos, no #Ocupe Passarinho, nas I e II Jornada dos Povos de Pernambuco, no CONSEA-PE, só para citar alguns ativismos, eventos e participações importantes junto aos movimentos, ocupando espaços diversos, promovendo o debate e a conscientização entre os mais diferentes públicos. A ação coletiva do NEPPAG é o espírito colaborativo impregnado em seus membros, que nos faz mover e adquirir algumas experiências que possam ser compartilhadas e debatidas dentro e fora do grupo. Como geógrafo fico muito à vontade para afirmar que este jovem núcleo, o NEPPAG Ayni, sente-se muito bem acolhido no seio da RENDA, acostumado a lidar com os nós, e deles tecer os fios que vão concetar os nós, formando um tecido flexível e resistente, afim de assegurar o balanço da rede, da RENDA, da Rede Nordeste de Núcleos de Agroecologia.


Sejam tod@s bem vind@s! 

Como andam os Cursos de Graduação em Agroecologia? Reflexão de uma graduanda em agroecologia da UEPB!

Em reunião da RENDA/Neas Pb no Seminário de Pesquisa Participativa/Especialização em Agroecologia/Residência Agrária organizada pelo NERA/UEPB, a estudante do curso de Graduação em Agroecologia Lua leu carta escrita em março de 2015. Primeiramente a carta foi dirigida para  professoras e professores do curso, carta essa que não havia recebido permissão para ser colada na parede do campus... e somente agora foi lida, mais de um ano depois. Referendamos aqui como um documento! Documento esse cheio de vida, com palavras regadas de vivência, inquietações e indagações, elementos chave para a construção do conhecimento!

[...]

Sobre Ser Radical

Momento de leitura da carta para o Curso de Agroecologia UEPB
Não sei se houve, um professor sequer que, nas primeiras semanas de aula, não tenha usado a palavra 'radical'.
 "... mas não devemos ser radicais..." Eles dizem.
Parece que para o senso comum, 'radical' é uma qualidade negativa. E no discurso comum, radical é sempre o outro, e nunca eu mesmo.
Lançando mão do significado comum para essa palavra, a mim me parece que a radicalidade é uma questão completamente relativa.
As minhas escolhas na vida e as minhas opiniões só podem parecer radicais a quem tem escolhas e opiniões diferentes das minhas. Já aos que compartilham meus pontos de vista, as minhas ideias são apenas sensatas.
Não deixo de observar também, que no contexto coletivo da sociedade, radical é quase sempre uma qualidade da minoria.
Os pais que alimentam seus filhos com alimentos industrializados potencialmente cancerígenos não são radicais. Radical é a família que não admite produtos Nestlé em sua mesa.
O sujeito urbanóide que passa 2 horas preso no trânsito, respirando um ar poluído, para chegar ao seu emprego infeliz de 40 horas semanais, é apenas um cara comum. O sujeito bicho-grilo fugido da capital pra viver no meio do mato, plantando seu próprio alimento e tomando banho de cachoeira, é um cara muito radical.
A parturiente guiada cegamente a um parto hospitalar convencional, correndo risco de mais de 50% de ser submetida a uma cirurgia desnecessária, 25% de chance de sofrer violência obstétrica, quase 100% de chance de ser submetida a algum procedimento invasivo e não ter o seu protagonismo respeitado, nunca pode ser chamada de radical. Radical é a mulher que escolhe parir em casa.
O grande latifundiário que enche o bolso de sangue indígena, envenena o solo, esgota a água, derruba a floresta, aniquila a biodiversidade, explora os trabalhadores... é só um rico invejado. Radical é o MST.
Não sei se os calouros de agronomia, ciências agrárias ou engenharia agrícola escutam tantas vezes esse termo quanto eu, estudante iniciante de agroecologia.
Agora, abrindo mão do significado dado pelo senso comum e buscando o significado real da palavra, descobrimos que 'radical' vem de 'raiz'. Logo, facilmente interpretamos que radical é aquele que busca a raiz, enxerga a raiz, ou resolve um problema cortando-o pela raiz.
Desde a Revolução Verde a fome continuou aumentando, chegando hoje a mais de 1 bilhão de pessoas no mundo todo.
Chamamos de agricultura convencional essa que tem exaurido o solo, a água, a biodiversidade e as pessoas no mundo todo. 
Mas por que convencional? Se esse modelo surgiu na metade do século XX e nem sequer atingiu os primeiros 100 anos de idade? Enquanto que os sistemas agroecológicos (mesmo que ainda não existisse esse nome) alimentaram a humanidade ao longo de pelo menos 10 mil anos. 
O agronegócio se alastrou pelo mundo tão rapidamente, não porque fosse mais eficiente que os modelos milenares, mas porque ele aplica não somente as tecnologias originadas nas grandes guerras mundiais, mas também a mentalidade da guerra.
Mentalidade de guerra é enxergar o outro como inimigo, alguém a ser destruído, conquistado ou escravizado.
Os fungos, bactérias, protozoários, insetos e outros animais devem ser destruídos. A terra deve ser conquistada. As pessoas devem ser escravizadas. A natureza e tudo o que dela faz parte, incluindo os animais humanos, são inimigos a serem dominados.
E da mesma forma que só se convence um povo a entrar em guerra, utilizando estratégias muito eficientes de propaganda, o agronegócio só cresce através de muita propaganda.
Graças à grandes magos da publicidade, manipuladores do inconsciente, a agricultura ecológica, sustentável, familiar, milenar, criativa, saudável e produtiva, em poucos anos, deixou de ser convencional e passou a ser alternativa, ou retrógrada, primitiva, pobre, ineficiente... Enquanto que o novo câncer sócio-econômico-ambiental da agricultura de guerra se tornou o convencional.
Digo câncer, porque se somos a Natureza uma coisa só, mas pensamos que somos divididos, nos comportamos de maneira autodestrutiva. Como um câncer.
A Agroecologia é a ciência que nos aponta as raízes desse câncer.
Não sei quem foi o primeiro a juntar 'agro' com 'ecologia', nem sei se houve alguém que tenha escrito algum tratado oficial enumerando os princípios da Agroecologia.
Mas sei que a Agroecologia começou a florescer em mim, não através de estudos do pensamento de algum filósofo ou cientista do final do último século; mas sim, através da absorção, desde a minha primeira infância, das mensagens gritadas pela Natureza.
Vejo a Agroecologia como uma ciência comum a todos os homens e mulheres do planeta que procuram desenvolver a capacidade de sentir o que a Natureza diz. Sejam estes homens e mulheres, doutores ou analfabetos.
Escuto a Natureza me dizer "Quem pensa que a mim submete, mais e mais será a mim submetido."
Escuto a Natureza me dizer " A competição é uma atitude autodestrutiva."
Escuto a Natureza me dizer "A cooperação é a melhor qualidade adaptativa que um indivíduo pode ter."
Escuto a Natureza me dizer "Não há homens donos de terra; nem homens donos de outros homens; nem homens ou mulheres, maiores ou menores; nem homens donos de mulheres. Quem vive em mim nasceu para amar livremente e não para possuir."
Escuto a Natureza me dizer "Nos diversos ecossistemas há espaço para todos os seres dotados do dom do ciclo da vida-morte-e-vida. E se confiares em mim, nada te faltará."
Escuto a Natureza me dizer "Não és tu quem precisa de um movimento de humanos sem terra, sou eu quem faço o movimento da terra sem humanos. Tragam-me de volta o Homo sapiens ou Adão e Eva! Pois tu és uma espécie dispersora de sementes, e tu és uma espécie manifestadora da autoconsciência do Universo."
Nossa, como eu escrevo de forma exagerada! E quanto poder eu me rogo, ao ponto de até querer falar em nome da Natureza!
Sim, sim. Podem dizer. Eu sou mesmo uma menina muito radical. Assim como eu acho que a Agroecologia é radical por definição.
Pois ser radical não é ser desrespeitoso. Ser radical não é ser violento. Ser radical não é ser sectário.
E falando em sectário...
Numa das pausas que fiz durante a escrita desse texto, abri o meu mais recente livro adquirido, Pedagogia do Oprimido. E já nas Primeiras Palavras, Paulo Freire, como se em 1968 já se sentisse solidário ao meu conflito, me vem com essa:

"[...]
É que a sectarização é sempre castradora, pelo fanatismo de que se nutre. A radicalização, pelo contrário, é sempre criadora, pela criticidade que a alimenta.
Enquanto a sectarização é mítica, por isso alienante, a radicalização é crítica, por isso libertadora.
Libertadora porque, implicando o enraizamento que os homens fazem na opção que fizeram, os engaja cada vez mais no esforço de transformação da realidade concreta, objetiva.
[...]

O radical, comprometido com a libertação dos homens, não se deixa prender em "círculos de segurança", nos quais aprisione também a realidade. Tão mais radical quanto mais se inscreve nesta realidade para, conhecendo-a melhor, melhor poder transformá-la.
Não teme enfrentar, não teme ouvir, não teme o desvelamento do mundo. Não teme o encontro com o povo. Não teme o diálogo com ele, de que resulta o crescente saber de ambos. Não se sente dono do tempo, nem dono dos homens, nem libertador dos oprimidos. Com eles se compromete, dentro do tempo, para com eles lutar. Se a sectarização, como afirmamos, é o próprio do reacionário, a radicalização é o próprio do revolucionário."

Então, irmãs e irmãos, só posso concluir dizendo que radical pra mim é elogio.

Gratidão.

Lua Muliterno
Núcleo de Extensão Rural Agroecológica (NERA) UEPB

quarta-feira, 30 de março de 2016

IV ENCONTRO DE AGROECOLOGIA DO AGRESTE MERIDIONAL DE PERNAMBUCO

Por CVT Agrofamiliar

"Produção Agroecológica e Orgânica: sustentabilidade e vida saudável no campo e na cidade"


O Encontro de Agroecologia do Agreste Meridional de Pernambuco é realizado desde 2010. Neste ano estamos realizando sua 4ª edição, abrangendo um público diversificado de agricultores, professores, técnicos, estudantes. Desde seu início, é realizado pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Agricultura Familiar e Camponesa- o AGROFAMILIAR em parceria com outros projetos, instituições e organizações governamentais e não governamentais, Sindicatos Rurais e Movimentos Sociais. Neste ano, além do AGROFAMILIAR o encontro está sendo promovido junto com a Rede Nordeste dos Núcleos de Agroecologia- RENDA que promoverá um Seminário Estadual.

O 4º Encontro de Agroecologia do Agreste Meridional de Pernambuco irá acontecer nos dias 02, 03 e 04 de junho de 2016, na Unidade Acadêmica de Garanhuns, da Universidade Federal Rural de Pernambuco- UAG/UFRPE, com a temática “Produção Agroecológica e Orgânica: sustentabilidade e vida saudável no campo e na cidade”. A ideia central é fomentar a discussão sobre a contextualização nos processos de produção de alimentos na perspectiva da Agroecologia e das diversas agriculturas, seus desafios, avanços. Além de possibilitar conhecer e refletir sobre as experiências de transição agroecológica que vêm acontecendo e suas relações com as políticas públicas e o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). 


segunda-feira, 28 de março de 2016

Curso de Agroecologia, políticas públicas e metodologias participativas é promovido em Sergipe

 Por Núcleo de Estudos e Vivência em Agroecologia

O Núcleo de Estudos e Vivência em Agroecologia (NEVA) da Universidade Federal de Sergipe em parceria com O CNPQ e a Rede Nordeste de Núcleos de Agroecologia (RENDA) está promovendo o curso: “Agroecologia, políticas públicas e metodologias participativas”. De caráter extensionista, o evento vem reunindo estudantes, professores, entidades e movimentos sociais como EMBRAPA, INCRA, MPA e MST para discutir questões ligadas a políticas publicas para a agricultura, com ênfase na agroecologia.

Dividido em três módulos, o curso teve sua primeira parte realizada nos dias 18 e 19 de março com foco para as politicas de investimentos para agricultura. A segunda etapa do curso acontecerá no dia 1º e 2 de abril com debates e mesa redonda. A última parte do curso acontecerá durante o mês de abril. O evento terá carga horária de 45h, 15h por módulo e emitirá certificado.

O curso tem o objetivo de contribuir para a formação de técnicos de ATER/ATES, estudantes universitários, docentes, profissionais das ciências agrárias e camponeses, fortalecendo a compreensão dos processo de definições das políticas públicas destinadas a agricultura, além de capacitar para a aplicação de metodologias ativas no cotidiano das comunidades e assentamentos rurais. Da mesma forma, contribuirá para a formação dos estudantes das ciências agrárias, qualificando-os para intervenções apropriadas ao meio ambiente e aos sistemas de produção em geral.

Inscrições: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/link/public/extensao/formInscricaoOnline?id=18378433&flag=true

Programação

Dia 01/04/2016

14h às 18h: Mesa redonda: Políticas públicas sociais destinadas ao campo: habitação, educação, saneamento, segurança, lazer, arte e cultura, esporte

Dia 02/04/2016

8h às 11h: debate em plenário
11h às 12h: Síntese de elaboração de documento final do tema

Dia 08/04/2016

14h às 18h: Mini-curso: Metodologias participativas

Dia 09/04/2016

8h às 12h: Dinâmicas aplicadas em metodologias participativas (prática)

Dia 15/04/2016

14h às 18h: Mini-curso: Metodologias participativas

Dia 16/04/2016

8h às 12h: Dinâmicas aplicadas em metodologias participativas (prática)

Dia 22/04/2016


14h às 18h: Mini-curso: Diagnóstico rápido participativo em agroecossistemas - DRPA

Dia 23/04/2016

8h às 12h: Diagnóstico rápido participativo em agroecossistemas - DRPA (prática)

Dia 29/04/2016


14h às 18h: Aplicação do DRPA em comunidade

Dia 30/04/2016

8h às 12h: Finalização do curso com relatos de experiências para socialização