segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

REVISTA TRANSIÇÃO AGROECOLÓGICA NO SEMIÁRIDO


 
Resultado de imagem para transição agroecológica - UNIVASF 
 
Volume 5, Número 2, 2017
 
Esta edição, tendo como tema “Transição Agroecológica no Semiárido”, busca evidenciar uma série de iniciativas de extensão, pesquisa-ação, mobilização social e organização socioprodutiva em diferentes contextos e perspectivas do campo Agroecológico. Ao longo de sua trajetória a Revista Extramuros tem se afirmado enquanto espaço de socialização de processos interventivos de diferentes naturezas de modo a promover a Agroecologia em diferentes contextos socioambientais.
Buscando contribuir com a superação da invisibilidade dada às iniciativas contra-hegemônicas do paradigma da produção de alimentos a partir do uso intensivo de agroquímicos o Núcleo de Pesquisa e Estudos SERTÃO AGROECOLÓGICO - NUPESA/UNIVASF se propôs a articular e compilar neste número apresenta uma síntese de iniciativas no âmbito de uma nova proposta de pensar e fazer: a Agroecologia. Dessa forma, mobilizamos atores sociais, outros Núcleos de Estudos em Agroecologia - NEA’s, instituições e organizações de pesquisa e assessoria técnica em processos de desenvolvimento local sustentável,redes de agroecologia, associações e grupos de agricultores organizados para sintetizar às diferentes ações e projetos de extensão que fazem interface com a pesquisa. 
Nesse sentido, o Volume 5 da Revista Extramuros buscou evidenciar e sistematizar experiências a partir  de uma reflexão no campo da Agroecologia e Produção Orgânica junto com agricultores e organizações do Semiárido Brasileiro.
Esperamos contribuir com a abertura de novas janelas e perspectivas aos leitores com os quais socializamos os relatos, experiências e saberes envolvidos na construção da Transição Agroecológica no Semiárido.

A revista:
http://www.periodicos.univasf.edu.br/index.php/extramuros/issue/view/30/showToc

Edição: Equipe Renda 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

TROCA DE SEMENTES NO AGRESTE



Em sua quarta edição a Feira de Troca de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco acontecerá em novembro, na quinta 23/11/2017, das 8h às 15:30h, no Parque Euclides Dourado, Garanhuns-PE.


4ª FEIRA DE TROCA DE SEMENTES CRIOULAS DO AGRESTE MERIDIONAL DE PERNAMBUCO

É um evento aberto ao público com o objetivo de estimular a troca de variedades de sementes crioulas entre agricultores, organizações/instituições e pessoas interessadas. Esta troca favorece a conservação da biodiversidade, do patrimônio genético, a identidade e memória cultural das comunidades de agricultores e suas famílias.
A Feira é promovida pelo conjunto de organizações que formam a Rede SEMEAM: Instituto Agronômico de Pernambuco - IPA/GEMA, Núcleo e Centro Vocacional AGROFAMILIAR (UAG/UFRPE), Instituto Raízes, Cáritas Diocesana de Pesqueira, Cáritas Brasileira Regional NE 2, SERTA, NEDET (UAG/UFRPE), SINTRAF Regional, COOPAF, Secretaria Municipal de Agricultura de Garanhuns, STR – São João e Bancos Comunitários de Sementes do Agreste Meridional.
Poderão participar da Feira outros agricultores, organizações/instituições, sindicatos, movimentos sociais, escolas, faculdades, universidades e interessados, mas é importante que tragam suas sementes (grãos, plantas de espécies frutíferas, florestais, medicinais...) para partilhar e trocar com os agricultores e organizações que estarão nos stands. Mas caso não tenha sementes para a troca, não deixe de prestigiar o evento que inclui em sua programação oficinas, palestras, exposições, além da oportunidade de dialogar e trocar experiências com os agricultores e as organizações que os apoiam.
Venha conhecer a riqueza das espécies das sementes crioulas e o trabalho que vem sendo desenvolvido na região!
O resgate e a troca de sementes têm favorecido redes de colaboração solidária entre os agricultores, conhecimentos e processos produtivos e de fortalecimento da agricultura local, de soberania alimentar, autonomia e empoderamento das famílias agricultoras, além da promoção de diálogos e vivências em Agroecologia.

Maiores e outras informações:
Rede SEMEAM - Nayra Oliveira (87) 9.8143-3150 e Arley Gomes (87) 9.9988-6158



4ª Feira de Troca de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco
QUANDO: 23/11/2017 (quinta-feira)
ONDE: Parque Euclides Dourado, Garanhuns- PE
HORÁRIO: 8h às 15:30h
Realização: Rede SEMEAM

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

21 e 22 de agosto - I Encontro Estadual para ampliação e qualificação das Feiras Agroecológicas em Alagoas



As Feiras Agroecológicas vêm se consolidando como um importante espaço de comercialização de produtos da agroecologia. 
Em todos os estados cresce o numero de iniciativas e aprofunda-se a necessidade de uma melhor articulação, integração e ação conjunta, em Rede.

No estado de Alagoas, essas iniciativas ganham espaço cada vez mais evidente, tanto do ponto de vista da criação de estratégias da agricultura familiar de se relacionar com mercados, quanto de consumidores que se preocupam com a segurança do que estão consumindo, levando para casa, para sua família, alimentos isentos de agrotóxicos .

A ampliação do envenenamento dos alimentos, mesmo com toda invisibilidade e descrédito dada ao tema, tem despertado o interesse de um numero cada vez maior de consumidores que querem adquirir produtos com confiabilidade e vindo de um setor produtivo que utiliza melhores critérios no cuidado com a produção de alimentos saudáveis, com a saúde de quem produz e com os impactos e a sustentabilidade ambiental.

Dessa forma, as Feiras Agroecológicas têm demonstrado ser uma das melhores estratégias de comercialização de produtos alimentícios dada a flexibilidade em sua logística e pouca necessidade de infraestrutura e investimentos,além da autonomia e dinamismo que proporciona as famílias participantes dos processos de desenvolvimento produtivo, elas possuem uma grande capacidade de serem ampliadas para as diversas realidades das grandes, medias e pequenas cidades. Mesmo com estas características, elas precisam ser impulsionadas, organizadas e qualificadas para atender uma demanda cada vez mais ampla,  de agricultores que optaram pela agroecologia como modo de produção e de vida, como de uma ampla diversidade de consumidores que estão buscando cuidar mais da sua saúde, serem mais seletivos em seus atos de consumo.

As experiências de organização das Feiras Agroecológicas tem proporcionado uma melhoria da oferta de produtos cada vez mais diversificados. Muito se tem avançado na implantação do conceito de preço justo e unificado, aplicados em muitas experiências. No aspecto organizativo, têm-se também tratado dos aspectos da gestão e da autonomia dessas iniciativas. Muitas Feiras possuem uma coordenação, um fundo rotativo e regimentos internos que orientação @s envolvid@s para o aperfeiçoamento das iniciativas.

Esses avanços percebidos nas diversas iniciativas de Feiras Agroecológicas,  espalhadas por todo o Brasil, tem também revelado que este processo não avança se não houver a iniciativa de integra-las, qualifica-las e organiza-las. Há uma grande necessidade de uma ação coletiva, em rede, para aprofundar os desafios, as potencialidades e as estratégias de fortalecimento dessas iniciativas. Elas representam um grande potencial de ampliação, de qualificação e de retorno para o desenvolvimento do meio rural e da saúde da população do Estado de Alagoas.

Nesse sentido a rede de agroecologia de Alagoas vem promover nos dias 21 e 22 o I Encontro Estadual para ampliação e qualificação das Feiras Agroecológicas em Alagoas, na sede da FETAG - Maceió/AL o encontro terá como objetivo:

  Articular as feiras e espaços de comercialização agroecológicos do Estado de Alagoas, as associações de agricultores (as), movimentos sociais, organizações da sociedade civil e instituições governamentais que possam dar apoio as Feiras.
     Promover a construção de conhecimentos entre famílias agricultoras e instituições de apoio, sobre as boas práticas referentes à comercialização em feiras e à estruturação dos mesmos.
      Construir um plano de ação que amplie e fortaleça as feiras agroecológicas no Estado Alagoas.
 




Maiores informações: FETAG - AL
Fonte: Rede de agroecologia de Alagoas
Edição : Equipe RENDA



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Caravana Agroecológica vai passar por seis municípios do Submédio do São Francisco


Refletir sobre modelos de desenvolvimento e sistemas agroalimentares a partir de elementos comuns a uma bacia hidrográfica. Esse é o objetivo da “Caravana Agroecológica do Semiárido Baiano: nos caminhos das águas do São Francisco”, que tem início na próxima segunda-feira (26), em Juazeiro (BA). O grupo de 70 pessoas, que fará parte da Caravana, também tem como proposta dar visibilidade a denúncias, conflitos e experiências de resistência e organização de comunidades dos seis municípios que serão visitados.
No primeiro dia da Caravana Agroecológica do Semiárido Baiano, os participantes vão se reunir, em Juazeiro, para um momento de integração e reflexão sobre a região do Submédio do São Francisco. No dia seguinte, a Caravana vai se dividir em duas rotas, uma com destino aos municípios de Campo Formoso e Jacobina; e outra, que passará por Casa Nova, Remanso e Campo Alegre de Lourdes. Durante três dias, integrantes de movimentos e entidades populares, universidades, centros de pesquisas e órgãos públicos vão vivenciar diferentes realidades e contrastes do Semiárido baiano.
Seis eixos orientaram a construção das rotas da Caravana: os impactos da mineração, conflitos fundiários, conflitos por água, uso e impactos de agrotóxicos, experiências agroecológicas e resistências comunitárias. Para Manoel Ailton Rodrigues, integrante do Movimento Quilombola e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Salitre, é de suma importância os locais escolhidos para a realização da Caravana. “Os impactos nas bacias do rio Salitre e do entorno do Lago de Sobradinho são os objetivos da Caravana Agroecológica. Sem dúvida, ela vai fortalecer a luta dos respectivos comitês”, afirma.
Comunidades tradicionais, como quilombolas, pescadores e fundos de pasto também estão incluídas nas rotas dos caravaneiros/as. Como parte da programação, acontecerá, no dia 28 pela manhã, o Seminário: “Ameaça aos Territórios Tradicionais”. A atividade será realizada no salão da Colônia de Pescadores de Casa Nova e é aberta a toda a população. “A programação está bastante rica, convidamos todas comunidades por onde a Caravana estará passando para participar com a gente. Várias pessoas de diversas organizações estarem juntas em uma caravana ajuda a gente a reconhecer os desafios para além da própria comunidade ou organização, nos permitindo um olhar de mais amplo para o território onde estamos”, ressalta o sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e integrante da coordenação da Caravana, André Búrigo.
A Caravana Agroecológica tem como diferencial a produção de um diagnóstico sobre o Submédio do São Francisco a partir de trocas e saberes coletivos e uma análise crítica composta por olhares de pesquisadores, comunidades, técnicos e integrantes de movimentos populares. Como resultado, espera-se realizar e reforçar denúncias de violações de direitos e contribuir para a atuação do Ministério Público da Bahia, pressionar por políticas públicas e sociais, fortalecer a luta de comunidades tradicionais e divulgar experiências agroecológicas e de Convivência com o Semiárido. Uma carta política e um documentário também serão produzidos a partir da Caravana.

“A vivência da Caravana já é um grande resultado. É uma aposta de que devemos e pudemos caminhar juntos, construindo convergências nas ações”, diz Búrigo. As Caravanas Agroecológicas têm sido realizadas por todo o Brasil desde 2013, como estratégia de mobilização de diferentes atores sociais. A do Semiárido Baiano vem sendo construída desde agosto do ano passado, com a participação de cerca de 30 organizações dos âmbitos federal, estadual e que atuam na região do Submédio do São Francisco. O encerramento da Caravana Agroecológica do Semiárido Baiano será realizado no dia 30, no Espaço Plural da Univasf, em Juazeiro.
Texto: Ascom Caravana Agroecológica do Semiárido Baiano - Foto: Divulgação

sábado, 17 de junho de 2017

II Seminário Regional da Rede Nordeste de Núcleo de Agroecologia - RENDA


O Núcleo Educação, Pesquisa e Prática em Agroecologia e Geografia (NEPPAG) sediará entre os dias 19, 20 e 21 de junho de 2017, em Recife, o II Seminário Regional da Rede Nordeste de Núcleo de Agroecologia – RENDA. 

O evento é parte do Projeto Rede Nordeste de Núcleos de Agroecologia (Renda-NE/chamada MDA/CNPq Nº 39/2014) coordenado pela professora Mônica Cox de Britto Pereira do Departamento de Ciências Geográficas do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFPE. O Projeto possui 24 bolsistas e 30 Núcleos de Estudo em Agroecologia (NEA) e Centros Vocacionais de Tecnologias (CVT) distribuídos nos 9 estados do Nordeste que estão fortalecendo a Agroecologia nas Universidades, Institutos Federais e Instituições de Pesquisa. 

Ao longo desse tempo, o Renda se propôs a construir e participar de espaços de debates, intercâmbios, trocas de experiências, seminários estaduais, caravanas agroecológicas e culturais, encontros nacionais da Associação Brasileira de Agroecologia, mapeamento e sistematização de experiências. 

Também reuniu centenas de pessoas em distintos territórios nos quais esteve presente, conseguindo entrelaçar discussões a partir de novos enfoques e aprofundamentos para a construção de paradigmas contra hegemônicos. 

Orbitaram as seguintes questões: Qual o tipo de conhecimento que queremos e precisamos? A quem se destina o conhecimento científico? Quem dele se beneficiará? Porque interessa à sociedade apoiar a Agroecologia? 

A Agroecologia é entendida enquanto ciência, movimento e prática. Enquanto ciência que respeita todas as formas de saberes que ao longo de milênios construíram sistemas agroalimentares complexos; enquanto movimento que se organiza e age sob a realidade concreta com respeito à ciência popular; e enquanto prática que cotidianamente transforma os ambientes e relações em busca do bem viver no campo e na cidade. 

Neste seminário que encerra um ciclo de dois anos e meio, queremos trazer como proposta construir as múltiplas redes de mobilização social que estão sendo tecidas por toda região Nordeste e pelo Brasil, nos mais de 100 Núcleos de Estudos em Agroecologia (NEAs) existentes. 

Os NEAs estão atuando sob realidades e territórios distintos em torno das diferentes temáticas: educação no campo; feminismo; lutas por água, terra e território; reforma agrária; povos e comunidades tradicionais; impactos de grandes obras de infraestrutura, mineração, agronegócio; justiça ambiental; impactos dos agrotóxicos; convivência com o semiárido; juventude do campo; metodologias; educação ambiental; comunicação; extensão rural, etc. Bem viver, Agroecologia, Rede e Acolhimento é o que queremos que sejam os tons do II Seminário Regional Renda, com atitudes que nos permitam construir relações sociais de pesquisa, ensino e extensão próximas e horizontais.

Programação Aberta ao Público – 19.06.2017

Local de abertura da Casa dos Núcleos de Agroecologia do NE: estacionamento do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) – UFPE.

10h00 – Mística de abertura “Casa dos Núcleos de Agroecologia do NE – UM ESPAÇO DA RENDA”

10h15 - Percorrendo a “Casa dos NEAs – A Construção da Rede Renda”

10h – Café da manhã compartilhado

11h – Na Casa dos Núcleos de Agroecologia do NE – UM ESPAÇO DA RENDA construir a “Colcha de Retalhos dos Núcleos de Agroecologia do Nordeste: costurando o Painel da Renda”.

14h – vídeo de sensibilização dos NEAs – Auditório do CCSA

14h30 – Mesa de abertura “A conjuntura política do Brasil: perspectivas e caminhos para construção do conhecimento agroecológico em tempos de golpe”
Debatedoras/es: Flaviane Canavesi (Núcleo Darcy de Agroecologia-UNB/ABA); Franklin Plessmann (Núcleo de Cartografia Social-UFRB/Renda-NE); Soraia Carvalho (Prof.ª Serviço Social e Militante do Movimento Docente-UFPE); Plácido Jr. (CPT-NE); Mediação: Monica Cox de Britto Pereira (NEPPAG-UFPE/Renda-NE)

15h30 – Lançamento do Cadernos de Conflitos do Brasil da CPT 2016 e banca da Expressão Popular.

16h – Debate público

18h – Encerramento
Mais informações: NEPPAG (81) 2126-7371
 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

VI Encontrão da TEIA de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão


Por:Vivian do Carmo Loch
 
"Andar só e não estar só.
Sonhar o sonho dos ausentes
Para reparti-lo na chegada.
Compor a imagem do que não vê
E vislumbrar outros caminhos
Que nos levarão.
Abraçar a alma alheia como
Se fosse minha, estendendo
A mão para quem passa.
Sonhar um sonho com o
nome de Revolução.
Pois amar é um ato revolucionário
E só faz a Revolução quem
Souber amar."

Pedro Munhoz


             Entre os dias 25 a 28 ocorreu no Quilombo Alto Bonito, município de Brejo - MA, o VI Encontrão da TEIA de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão. O tema do encontro “Não estamos extintos. Estamos de pé, em luta. Esta terra é nossa!” trouxe à tona os conflitos vividos pelos povos do campo, ameaçados constantemente pelo Agronegócio e o modelo de desenvolvimento assumido no Brasil, em especial no Maranhão.
Nos encontros da TEIA se dividem aflições, lutas e glórias, que servem de inspiração e renovam forças e esperanças na construção dos territórios livres. A TEIA do Maranhão surgiu em meados de 2013, nessa perspectiva de união de lutas dos povos do campo e da floresta, como indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, pescadores, ribeirinhos, sertanejos e geraizeiros. Redes como essa se estruturam também em alguns poucos estados do Brasil, como a Bahia.
A frequência dos encontros é de duas vezes ao ano, e nesses intervalos ocorrem os encontros das teias de cada povo tradicional, onde são abordadas suas pautas específicas. A TEIA tece um sonho em comum: territórios livres na construção do bem viver. Tem o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Comissão Indigenista Missionaria (CIMI).
Os encontros são construídos pelo coletivo: grupos se alternam na organização, refeição, limpeza, a fim de que todos possam participar dos debates. Cada delegação contribui com alimentos de seus territórios, bem como material de ornamentação e sementes e mudas para trocas.
Estar nestes espaços é transformador. É possível sentir a energia ancestral que um povo carrega em sua cultura e que este é o elo principal que os conecta com a Mãe Natureza. A Natureza para eles não é apenas fonte de recursos, é fonte de vida, de energia e de significados.

 Ao mesmo tempo em que fortalece e transforma pelo que é, nos traz medos e incertezas diante de uma realidade de massacres e conflitos vividos diariamente. Foram relatadas ameaças, intimidações, mortes, expropriação de camponeses sofridos em todas as regiões do estado. São exemplo os indígenas Akroá Gamella, presentes no Encontro, que sofreram um massacre de repercussão internacional, mas que ainda continuam em luta pela terra. Mudam os nomes e os locais, mas a lógica do Agronegócio se repete da mesma forma. E assim, o Maranhão vem assumindo o posto de um dos estados com maiores índices de violência no campo, segundo dados da CPT.
Além dos Akroá Gamella, estavam presentes indígenas das etnias Krenyê, Krikati, Gavião, Krepym Katejê, Pataxó Hã Hã Hãe (do estado da Bahia), comunidades quilombolas, quebradeiras de coco, sertanejos, geraizeiros, pescadores artesanais, ribeirinhos, camponeses e seringueiro do Acre.
Os grupos compartilharam também experiências exitosas, como a comunidade Quilombola Nossa Senhora de Nazaré, que vem construindo uma educação contextualizada e popular com seus moradores. Envolvendo toda a comunidade e transformando a forma de ensinar no local.
O sindicalista Osmarino Amâncio dividiu sua inspiradora história de vida voltada para a luta de castanhais e seringais livres. Contou como se organizavam os seringueiros, as abdicações e enfrentamentos que são necessários para algumas conquistas. E Joelson Ferreira, representante da TEIA da Bahia, falou sobre a construção do Bem Viver nos territórios.
Ao longo do Encontro muitas músicas, danças, rezas, troca de experiências, afeto e solidariedade. Por fim, foram propostos encaminhamentos e atividades por grupo tradicional, terminando com uma troca de sementes e mudas, a leitura da Carta Final do VI Encontrão da TEIA* e muita cantoria.

A TEIA faz brotar sementes de esperanças em nossos corações, regadas com sonhos de um campo que seja mais justo e adubadas com o amor que constrói o Bem Viver e reconstrói nossas conexões com a Natureza.
Viva os povos do campo e da floresta!
Territórios livres já!



* VI ENCONTRÃO DA TEIA DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DO MARANHÃO
                                                                          DOCUMENTO FINAL


“NÃO ESTAMOS EXTINTOS. ESTAMOS DE PÉ, EM LUTA. ESTA TERRA É NOSSA!
Nós, povos indígenas Akroá Gamella, Krenyê, Krikati, Gavião, Krepym Katejê, Pataxó Hã Hã Hãe da Bahia, comunidades quilombolas, quebradeiras de coco, sertanejos, geraizeiros, pescadores artesanais, ribeirinhos, camponeses e seringueiros do Acre, com o apoio solidário e militante da Comissão Pastoral da Terra/CPT, do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco/MIQCB, Irmãs de Notre Dame, Movimento de Comunidades Populares/MCP, Teia de Povos da Bahia, Diocese de Brejo, Núcleo de Estudos e Pesquisa em questão Agrária/NERA, CSP Conlutas, Coletivo Nódua, Centro de Defesa de Açailândia, Grupo de Estudo em Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente/GEDMMA, Núcleo de Estudos Geográficos/UFMA, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia/Campus Pinheiro, Rede de Agroecologia do Maranhão/RAMA, nos reunimos no território quilombola Alto Bonito, Brejo/MA, nos dias 25 a 28 de maio de 2017, para o VI Encontro da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.
Bebendo da experiência dos seringueiros de Xapuri (Acre), dos povos da Bahia, e dos muitos relatos da nossa gente, afirmamos a nossa autonomia na segurança, na educação, na produção, na autogestão e no Bem Viver!
Denunciamos o modelo de desenvolvimento que tem se perpetuado no Brasil, explorador e concentrador de riquezas que, para alcançar o máximo de exploração da natureza precisa negar nossa existência, nossa cultura e nossos modos de vida, atuando violentamente no extermínio de povos e comunidades, como ocorrera com camponeses em Colniza no Mato Grosso, com o Povo Akroá-Gamella no Maranhão e com os camponeses em Pau D’arco, no Pará.
Reafirmamos a luta no enfrentamento com o agro-hidro-minero-negócio, o Parque Eólico nos Lençóis Maranhenses, gaúchos, fazendeiros, madeireiros, empresas nacionais e internacionais (mineradora Vale, Suzano Papel e Celulose S. A., WPR Gestão de Portos e Logísticas de São Luís, WTorre, Grupo Maratá, Grupo FC Oliveira, e outras). Nossos inimigos contam o aparato do Estado brasileiro, tais como o Executivo, Legislativo e Judiciário, o ICMBio, em todas suas esferas, além do braço armado do Estado – Polícia Militar, Civil e Federal -, que historicamente são instrumentos de repressão de nossos povos e a criminalização de nossas lutas, além da uso permanente de jagunços e pistoleiros.
Reafirmamos os princípios do Bem Viver, que passa pela retomada dos nossos territórios, da nossa autonomia, pela garantia da soberania alimentar, manutenção da nossa cultura e modo de vida.
Nossa força vem dos encantados, vem dos nossos antepassados, vem dos nossos mártires, de sentir a força da mãe-terra quando pisamos em nosso chão. É uma força que jamais será silenciada, que permanece sempre viva quando nos encontramos e nos sentimos.
A partilha das experiências de insurgências alimenta o nosso espírito e reafirma a luta pela terra e pelo território e os laços entre povos estabelece novos vínculos históricos de resistência.
Esse governo que está destruindo o Brasil não nos representa! Fora Temer! Fora todos eles!
ESTA TERRA TEM DONO! (Sepé Tiaraju)
Quilombo Alto Bonito, Brejo dos Maypurá, 28 de maio de 2017.

Texto: Vivian do Carmo Loch, doutoranda em Agroecologia pela Universidade Estadual do Maranhão - Rede de Agroecologia do Maranhão.
Fotos: Eanes Silva 
Edição: Domênica Rodrigues - RENDA
 



terça-feira, 30 de maio de 2017

RENDA realiza caravana agroecológica no agreste Pernambucano






 O projeto RENDA coordenado pela professora Mônica Cox resultado da chamada CNPq/MDA 39/2014,  realizará em parceria com a Unidade Acadêmica de Garanhuns (UAG) da Universidade Federal Rural de Pernambuco, em parceria com o Núcleo AgroFamiliar, Renda, Instituto Raízes, Rede SEMEAM, CPT, MST, Cáritas, FETAPE, IFPE, IPA, GEMA, SERTA, Centro Sabiá, UFPE, NEPPAG e NEDET realizam a Caravana Agroecológica e Cultural do Agreste de Pernambuco entre os dias 1 e 3 de junho de 2017, perfazendo as rotas de Garanhuns, Pedra, Caetés, Angelim, Águas Belas, Pesqueira, Bonito e Cumaru.


Com o lema “Semeando a Vida no Agreste pernambucano através da Agroecologia”, a caravana tem como foco a observação das vivências das diferentes experiências e identidades agroecológicas nessa região.
O objetivo dessa caravana é evidenciar os sujeitos e organizações que constroem a agroecologia, como também destacar os avanços, as conquistas e os desafios frente à essa temática no território.
 Nesse sentido, buscamos:
1) Possibilitar o diálogo de saberes com diferentes sujeitos e instituições a fim de debater a realidade da agricultura familiar e da agroecologia na região;
2) Fomentar as pesquisas, os movimentos e as práticas da agroecologia, visibilizando experiências e fortalecendo as redes constituídas;
3) Vivenciar a agroecologia no Agreste, concebendo a caravana como instrumento de visibilidade dessas experiências, indicando os avanços, as conquistas e os desafios nos territórios;
4) Comunicar anúncios da Agroecologia na região rumo ao Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), a fim de subsidiar políticas públicas na perspectiva da sustentabilidade;
5) Formar uma rede de Agroecologia no Agreste e organizar a médio e longo prazo cursos e oficinas para trabalho de formação nessa perspectiva.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

I Encontro dos Cursos e Iniciativas de Ensino em Agroecologia do Nordeste






Texto de Leandro Benatto

Cinco representantes da Rede Alagoana de Agroecologia participam do I Encontro dos Cursos e Iniciativas de Ensino em Agroecologia do Nordeste e da Oficina para Construção de Plataforma de Pesquisa e Pós-Graduação em Agroecologia do Nordeste, que esta ocorrendo entre os dias 15 a 18 de maio na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Juazeiro – BA. Evento de grande importância regional que busca refletir sobre as iniciativas de ensino, pesquisa e extensão em agroecologia e propõe a construção de plataforma de articulação dessas experiências para o nordeste.
A participação da comitiva de Alagoas no Encontro de ensino em Juazeiro, reflete o importante momento de construção da Rede Alagoana de Agroecologia enquanto movimento agroecológico comprometido com os camponeses na promoção e fortalecimento de propostas de Desenvolvimento Rural includentes e sustentáveis. Esse processo necessariamente perpassa pela análise e reflexão do contexto de exclusão social e produtiva que enfrentamos no estado de Alagoas, fruto de um modelo agrícola e agrário monocultor e concentrador de terras e renda.
O cenário estadual para a prática de ensino em agroecologia no estado de Alagoas é bastante motivador em termos de oferta. Temos três cursos técnicos de Nível Médio Integrado em Agroecologia no Instituto Federal e Alagoas (IFAL), um em cada mesorregiões do estado: Campus Maragogi (Litoral Norte), Campus Murici (Zona da Mata), Campus Piranhas (Sertão); um curso superior de graduação em Agroecologia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e o Curso de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, promovido pela Associação de Agricultores Alternativos (AAGRA), experiência de ensino complementar direcionado à filhos de agricultores vinculada a Rede de Educação Contextualizada do Agreste e Semiárido, que se encontra em sua 5ª edição. Já o INCRA, por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - Pronera, pretende articular a primeira turma de agroecologia para o público dos assentamentos rurais do estado de Alagoas através da parceria com Universidade e/ou Instituto Federal.
A Rede Alagoana de Agroecologia, enquanto espaço representativo de múltiplos olhares, envolvendo organizações civis e governamentais, movimentos sociais, camponeses(as) estudantes, professores, consumidores e técnicos, possibilita o debate e a reflexão sobre o fazer e pensar agroecologia para além de uma técnica produtiva, mas como um processo de transformação social. Para tanto, é importante um olhar atento e detalhado sobre nossa prática e nossa realidade. Algumas perguntas podem nos ajudar a conduzir essa reflexão: Qual o papel e a função social do ensino em agroecologia no contexto alagoano? Os currículos e métodos de ensino estão favorecendo o fortalecimento da agroecologia? Qual a interlocução com os movimentos sociais e a sociedade? Como têm sido propostas as linhas de pesquisa e ações de extensão?
Estamos muito animados com a participação de Alagoas no encontro de Juazeiro dando continuidade ao debate que iniciamos no Encontro de Ensino Superior em Agroecologia promovido pelo curso de Agroecologia da UFAL em 2016. Certamente será uma ótima oportunidade para compartilhar experiências, ampliar contatos e articulações; vivenciar a agroecologia em suas diferentes acepções: enquanto ciência, movimento e prática e experimentar diferentes metodologias para a construção do conhecimento agroecológico. Retornando para Alagoas, teremos um evento ampliado com os demais colegas da REDE alagoana para discutir iniciativas para o fortalecimento da agroecologia no estado.

Delegação Alagoana no Encontro em Juazeiro (da esquerda para a direita) - Prof. Valtair Veríssimo (Curso de Nível Técnico em Agroecologia, Núcleo de Agroecologia-NEA, IFAL Campus Murici), Prof. José Roberto Santos (Bacharelado em Agroecologia CECA/UFAL), José Ubiratan Rezende Santana (INCRA/AL responsável pelo PRONERA), Prof. José Augusto de Castro Lima (Curso de Nível Técnico em Agroecologia, IFAL Campus Maragogi), Wanderson Mulato de Andrade (Curso de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável - AAGRA).

Agradecimentos: Ao IFAL, Campus Murici, e a Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) por viabilizar a participação de Alagoas neste importante encontro.


Texto de Leandro Benatto é integrante do Núcleo de Agroecologia Zumbi dos Palmares (NEA-ZP/IFAL Murici), Rede Nordeste de Núcleos de Agroecologia (RENDA),Rede Alagoana de Agroecologi.
Revisão e edição : Domênica Rodrigues